Festival Latino-Americano de Artes e Menstruação
O FLAM nasce do que sempre tentaram esconder.
Do que foi silenciado, higienizado, medicalizado, ridicularizado.
Nascemos do sangue que não é ferida.
Do ciclo que não é falha.
Do corpo que não pede desculpas por existir.
Na América Latina, nossos corpos e vozes carregam territórios.
Nossos ciclos carregam memórias.
Nossa menstruação carrega história política, social, espiritual e coletiva.
Mas também o singular, a força de cada identidade.
Aqui, a menstruação não é tabu.
É linguagem.
É matéria artística.
É gesto ancestral e força criadora.
No FLAM a arte e reflexão encontram espaço de acolhimento —
Onde o corpo não é suporte —
é obra, rito e arquivo vivo.
Reunimos artistas, criadoras, pesquisadoras e corpos menstruantes
que recusam o silenciamento,
que entendem o ciclo como tempo, entre espera e ação,
e o sangue como potência estética, sensível e política.
Não buscamos consenso ou neutralidade.
Buscamos expressão, presença e autenticidade.
(Auto)cuidado como revolução.
O FLAM não explica para agradar.
Ele convoca para transformar e integrar.
Porque aquilo que sangra também cria.
E aquilo que cria não aceita mais ser escondido.